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João e Olga, uma história de amor e coragem...João Anselmo é cortador, trabalha com a moto-serra, tem 51 anos, corpo forte, porte físico elegante, mas já marcado pelo tempo e pelo trabalho pesado. Sua companheira, Olga Maria Martins, de 67 anos, ficou cega trabalhando nas carvoarias, ao lado de João. Hoje está com o corpo acabado e aparência de bem mais velha, depende do marido até para preparar a comida. Moram num barraco muito pobre, sem saneamento, nem água potável. Pra beber água mais saudável têm que sair para procurar um córrego. Eles são o retrato da escravidão. Há seis anos não recebem dinheiro, trabalham em troca de comida. .Quem vê a velhinha Olga Maria, tateando por seu barraco, se surpreende ao escutar sua estória. "Tive um casamento anterior, meu ex-marido morreu e eu criei meus quatro filhos, consegui que estudassem, trabalhassem e hoje, todos estão casados. Acho que são felizes. Pra isso lutei muito. Depois resolvi eu ser feliz e fui viver a vida, viver aventuras e me apaixonei por João, que era mais novo, bom e bonito; trabalhamos e namoramos por essas carvoarias". Olga foi uma mulher guerreira e uma mulher sedutora; quando fala, nos seus lábios ainda se desenha  a cor forte da paixão que vive na sua memória ..Olhando esse casal se percebe como a exploração nas carvoarias passa como um trator por cima das vidas e transforma histórias de amor em tragédias. Olga e João são almas sem sonhos ou de sonhos mutilados, guardados ainda em corações solidários. ."Tenho sempre trabalhado de empreita. Já perdi a conta de quantos empreiteiros não me pagaram. Trabalhei pra Jerônimo, Heleno e Reinaldo. Esse último, dono de mercado em Ribas do Rio Pardo. Não recebi nada de nenhum deles. Tem 6 a 7 anos que venho trabalhando em troca de comida, nunca tenho saldo de dinheiro. Diz eles que eu fico devendo uma mixaria. Eu sou tratado de qualquer  jeito,  não sei o preço de mercadoria, não sei o preço de nada. Fico até sem jeito porque precisava comprar roupa, mas há mais